O tráfego aéreo na América Latina e no Caribe (LAC) cresceu 3,9% na comparação anual em outubro
Em outubro de 2025, o tráfego total de passageiros de, para e dentro da região somou 39,6 milhões, um avanço de 3,9% em relação a outubro de 2024, equivalente a 874 mil passageiros adicionais.
02 jan. 2026

O crescimento concentrou-se no tráfego intra-regional, impulsionado pelos mercados domésticos do Brasil e da Argentina, responsáveis por 58% do aumento líquido.
A oferta de voos cresceu 1,5% na comparação anual, enquanto a capacidade (assentos) avançou 2,7%, refletindo o uso de aeronaves de maior porte, com 160 assentos por voo, ante 159 em outubro de 2024[i].
Resumo de indicadores
- A capacidade, medida em assentos-quilômetro disponíveis (ASK), cresceu 4,1% na comparação anual.
- A demanda, medida em passageiros-quilômetro transportados (RPK), avançou 3,9% na comparação anual.
- O fator médio de ocupação foi de 84,5%.
- No acumulado de janeiro a outubro, o tráfego aéreo na LAC alcançou 379,4 milhões de passageiros, o que representa um crescimento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2024.
Brasil e Argentina seguem liderando o crescimento do número de passageiros
Como tem sido a tendência ao longo de 2025, o Brasil voltou a ser o principal vetor do crescimento regional, com 948 mil passageiros adicionais em outubro (+9,1% interanual). O mercado doméstico alcançou um recorde histórico pelo oitavo mês consecutivo e, caso essa trajetória se mantenha, 2025 deverá consolidar-se como um ano recorde, superando pela primeira vez 100 milhões de passageiros domésticos, ao lado de Estados Unidos, China, Índia e Japão. O segmento internacional avançou 9,3% na comparação anual em outubro e, no acumulado de janeiro a outubro, registra alta de 14%, totalizando 23,5 milhões de passageiros, com novos máximos históricos em todos os meses de 2025.
A Argentina também mantém uma trajetória positiva, acumulando o décimo mês consecutivo de crescimento de dois dígitos no tráfego total de passageiros. Em outubro, 2,79 milhões de passageiros viajaram de, para e dentro do país, o que representa um avanço de 11,6% na comparação anual. O mercado doméstico cresceu 8,1%, enquanto o internacional avançou 16%, impulsionado pela ampliação da oferta de voos internacionais intra-regionais, com destaque para os aumentos nas ligações com Brasil (+41%), República Dominicana (+44%), Peru (+24%), Paraguai (+35%) e Panamá (+27%).
Leve recuperação no México e na Colômbia, enquanto o Chile registra seu pior mês de 2025
No México, o tráfego total atingiu 9,5 milhões de passageiros (+1,7% na comparação anual), com avanços marginais de 1,8% no mercado doméstico e 1,5% no segmento internacional. O tráfego com os Estados Unidos, que constitui o terceiro maior par de países da região, atrás dos mercados domésticos do Brasil e do México, registrou um leve repique de 0,6% interanual, após a queda de 3,5% observada em agosto. No acumulado de janeiro a outubro, o tráfego entre México e Estados Unidos permanece praticamente estável, com uma redução marginal de 0,2% na comparação anual.Na Colômbia, o tráfego aéreo total registrou alta de 2,0% em outubro na comparação anual, interrompendo dois meses consecutivos de queda. O mercado doméstico apresentou recuo de 1,2% na base anual, enquanto o segmento internacional avançou 6,8%, impulsionado principalmente pelo aumento no número de voos operados com Brasil (+29,7%), Costa Rica (+31,3%) e Peru (+12,1%). No acumulado de janeiro a outubro, o tráfego doméstico colombiano recuou 1,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, o tráfego internacional acumulou expansão de 6,9% no período, sustentado pelo dinamismo de mercados como Peru, Brasil e Argentina. Juntos, esses três países responderam por cerca de 60% do crescimento líquido na chegada de turistas internacionais por via aérea ao país.[ii].
O Chile registrou, em outubro de 2025, seu pior desempenho do ano no tráfego total de passageiros (–4,1% na comparação anual). O mercado doméstico, que respondeu por 60% do total, recuou 2,4%, enquanto o segmento internacional registrou o segundo mês consecutivo de queda, com retração de 6,5% interanual.
“Nos dez primeiros meses de 2025, oito em cada dez passageiros adicionais na América Latina e no Caribe voaram dentro da própria região. Para sustentar esse crescimento, é fundamental evitar medidas que encareçam a conectividade, como a TUUA de transferência em Lima, considerando que até 60% do tráfego em diversas rotas intra-regionais a partir de Lima depende de passageiros em conexão”, destacou Peter Cerdá, CEO da ALTA.
Panamá e República Dominicana seguem impulsionando o crescimento na América Central e no Caribe
Na América Central, o tráfego de e para a sub-região cresceu 9,1% na comparação anual, liderado pelo Panamá (+11,8%, 1,81 milhão de passageiros). Na sequência, destacaram-se Costa Rica (+7,2%, 421 mil passageiros) e Guatemala (+8,5%, 404 mil passageiros). El Salvador registrou um leve repique de 0,5% interanual, após a queda de 5,6% observada em setembro.
No Caribe, a República Dominicana liderou o crescimento, com 1,31 milhão de passageiros, o que representa um aumento de 3,6% na comparação anual. O número de voos operados para os Estados Unidos cresceu 10,4%, completando o quarto mês consecutivo de alta e posicionando-se como o segundo maior nível do ano até o momento. A Jamaica manteve-se praticamente estável, com 423 mil passageiros, registrando uma queda marginal de 0,3%.
Glossário: RPK (Revenue Passenger Kilometers) corresponde ao número de passageiros pagantes transportados multiplicado pela distância percorrida | ASK (Available Seat Kilometers) refere-se ao número de assentos disponíveis para venda multiplicado pela distância percorrida | Fator de ocupação é obtido pela divisão dos RPK pelos ASK.
Nota Metodológica
Neste documento, a região da América Latina e do Caribe (LAC) é definida como a soma da América do Sul, América Central, Caribe e México. Essa definição é utilizada de forma consistente em todas as análises de tráfego regional e internacional.
São considerados voos domésticos aqueles realizados dentro de um mesmo país. O tráfego internacional é classificado em dois grandes segmentos:
- Tráfego internacional intra-regional: voos entre países dentro da LAC (por exemplo, Argentina–Brasil ou México–Colômbia).
- Tráfego internacional extra-regional: voos entre a LAC e outras regiões do mundo, como América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico, Oriente Médio ou África.
[i] Cálculos internos da ALTA, com base em dados do Cirium SRS Schedules Analyzer (consulta: outubro de 2025).
[ii] Migración Colômbia. Direção de Análise Setorial e Promoção Turística (DASP), Escritório de Estudos Econômicos.
Disponível em: https://portucolombia.mincit.gov.co/tematicas/flujo-de-turistas-y-pasajeros/visitantes-no-residentes, consultado em 11 de dezembro de 2025.
