O transporte aéreo internacional de cargas na América Latina e no Caribe cresce 0,1% em outubro
O tráfego de carga aérea internacional de, para e dentro da América Latina e do Caribe registrou em outubro de 2025 um crescimento interanual marginal de 0,1%, medido em toneladas métricas transportadas, com um total de 351.327 toneladas movimentadas. Esse resultado representa uma desaceleração em relação ao crescimento interanual de 3,3% observado em setembro.
08 jan. 2026
O fraco crescimento agregado foi condicionado pelo desempenho dos dois principais mercados da região: Brasil e Colômbia registraram, em outubro, as maiores quedas percentuais do ano no transporte aéreo internacional de cargas. O resultado regional manteve-se ligeiramente positivo graças ao crescimento observado em mercados intermediários, em especial Equador (+12,1%), Panamá (+10,2%), Argentina (+8,3%) e Costa Rica (+16,3%), que compensaram parcialmente as contrações nos mercados de maior porte.
Mercados-chave apresentam resultados mistos: quedas no Brasil e na Colômbia e expansão no México
O Brasil, maior mercado de carga aérea internacional da América Latina e do Caribe, registrou em outubro uma contração interanual de 7,7%, com a movimentação de aproximadamente 78.200 toneladas métricas, 6.631 toneladas a menos do que no mesmo mês do ano anterior (ver gráfico 1). A queda observada em outubro foi a mais intensa em termos percentuais no acumulado do ano e marcou o terceiro mês consecutivo de retração. Ainda assim, esse resultado deve ser analisado à luz de uma base de comparação excepcionalmente elevada: em outubro de 2024, foi registrado o maior volume mensal de carga aérea internacional da história do Brasil, com 84.706 toneladas transportadas. Tanto as importações quanto as exportações por via aérea apresentaram quedas de magnitude semelhante (–7,8% e –6,9%, respectivamente). Sob a ótica dos mercados, a maior contração percentual ocorreu nas exportações aéreas do Brasil para os Estados Unidos, que recuaram 25% em termos interanuais. Essa redução esteve associada a fortes quedas nos principais produtos transportados por via aérea para esse destino em outubro: os capítulos tarifários 03 (peixes e crustáceos), 08 (frutas) e 84 (reatores nucleares) registraram retrações de 21%, 60% e 46%, respectivamente[1].
Após ter registrado, em setembro, o maior crescimento interanual da carga aérea internacional no acumulado do ano, a Colômbia apresentou, em outubro, a contração percentual mais acentuada do período, com uma queda interanual de 4,05%, equivalente a uma redução líquida de cerca de 3.000 toneladas em relação a outubro de 2024 (ver gráfico 1). A retração concentrou-se nas exportações aéreas entre a Colômbia e os Estados Unidos, que representam aproximadamente 40% do volume total do país e registraram uma diminuição interanual de 14,5%, equivalente a 4.615 toneladas a menos. A magnitude dessa queda foi parcialmente compensada pelo desempenho de outros mercados, o que atenuou a redução do agregado. No acumulado de janeiro a outubro, a carga aérea internacional de e para a Colômbia mantém um crescimento interanual de 1,9%, com um total de 676.048 toneladas transportadas.
O México, terceiro mercado de carga aérea internacional mais importante da América Latina e do Caribe, movimentou em outubro 58,9 mil toneladas métricas, o maior volume mensal registrado no ano até o momento, o que se traduziu em um crescimento interanual de 2% (ver gráfico 1). O crescimento de outubro foi impulsionado pelo fluxo de mercadorias entre o México e os Estados Unidos, que representou cerca de 30,5% do volume internacional total e registrou um aumento interanual de 9,3%. Dentro desse corredor, as exportações do México para os Estados Unidos cresceram 4,3% interanual, apoiadas principalmente pelo desempenho de Cancún (+83,3%) e do Aeroporto Internacional Felipe Ángeles (+21,9%). No sentido inverso, as importações dos Estados Unidos para o México avançaram 13,1% interanual, superando o dinamismo das exportações e explicando o maior incremento líquido de carga observado em outubro entre os principais corredores internacionais de e para o México.
Desempenho positivo no Equador, Panamá, Argentina e Costa Rica durante outubro
Equador, Panamá, Argentina e Costa Rica, que em conjunto representaram cerca de 24% da carga aérea internacional da região em outubro, registraram um crescimento interanual agregado de 11,2%. O desempenho desses mercados foi determinante para sustentar o crescimento regional em terreno positivo, compensando parcialmente as contrações observadas nos mercados de maior porte. No caso do Equador, a carga aérea internacional cresceu 12,1% interanual em outubro, explicada principalmente pelo aumento de 24% nas exportações para os Estados Unidos. Dentro desse fluxo, os embarques de rosas (principal produto transportado por via aérea) cresceram 10,8%, superando 2.300 toneladas[2]. O Panamá movimentou 22.708 toneladas métricas de carga aérea internacional, com um crescimento interanual de 10,2%. A Argentina registrou um aumento interanual de 8,3%, alcançando um total de 19.007 toneladas, enquanto a Costa Rica apresentou o maior crescimento percentual, com uma alta interanual de 16,3% e um volume total de 10.542 toneladas.
Primeiro resultado positivo no Chile e primeira contração do ano no Peru
No Chile, a carga aérea internacional registrou em outubro sua primeira variação interanual positiva do ano, com um crescimento de 0,7%, após nove meses consecutivos de contração. O Peru, por sua vez, apresentou em outubro seu primeiro resultado negativo do ano em carga aérea internacional, com uma queda interanual de 5%, totalizando 24.500 toneladas. A contração foi explicada pela redução interanual de 10% nas exportações por via aérea.
“Em outubro, o comportamento da carga aérea na região foi heterogêneo: as quedas nos mercados de maior porte, como Brasil e Colômbia, foram compensadas pelo crescimento de mercados intermediários, como Equador, Panamá, Argentina e Costa Rica, mantendo o resultado regional ligeiramente positivo”, afirmou Peter Cerdá, CEO da ALTA.

Capacidade: O B747F cresce em outubro e segue como o principal provedor de capacidade cargueira; o B767F lidera o crescimento interanual
Em outubro, a capacidade operada por aeronaves cargueiras de e para a LAC aumentou 10,4% na comparação interanual, superando 910 milhões de toneladas-quilômetro, após o avanço mais moderado observado em setembro (+2,7%). O B747F, responsável por 37% da capacidade total, registrou crescimento de 2%, revertendo a queda de 1,5% em setembro; na mesma linha, o B77F avançou 3,5% em relação a 2024. O B767F manteve a liderança em termos de expansão, com expressivo aumento de 42,2%. Por sua vez, o A330F também apresentou desempenho positivo, com crescimento interanual de 36,1% (gráfico 5).
Nota: Salvo indicação em contrário, as variações percentuais mencionadas referem-se a comparações interanuais
[1] Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil. ComexStat – Estatísticas de Comércio Exterior. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br/pt/home (consultado em 17 de novembro de 2025).
[2] Banco Central do Equador. Relatório de Comércio Exterior – Setor Externo. Disponível em: https://contenido.bce.fin.ec/documentos/informacioneconomica/SectorExterno/ix_ComercioExterior.html (consultado em 17 de dezembro de 2025).
