A carga aérea internacional na América Latina e no Caribe acelera seu crescimento em setembro, com desempenhos heterogêneos entre os mercados
O tráfego internacional de carga aérea entre a América Latina e o Caribe (LAC) registrou um crescimento interanual de 3,3% em setembro de 2025, medido em toneladas métricas transportadas. O resultado evidencia uma aceleração do crescimento regional, após o avanço mais moderado de 0,7% registrado em agosto. No período, a carga internacional representou cerca de 83% do total movimentado por via aérea durante o mês.
O Brasil manteve-se como o maior mercado de carga aérea internacional da região, com uma participação de 21,8%, seguido muito de perto pela Colômbia (21,7%) e pelo México (16,2%).
02 jan. 2026
Mercados-chave apresentam resultados mistos: retração no Brasil e expansão na Colômbia e no México
O Brasil, principal mercado de carga aérea internacional da LAC, apresentou em setembro uma queda interanual de 6,3%, ao movimentar cerca de 71 mil toneladas métricas, o que corresponde a 4.749 toneladas a menos em comparação com o mesmo mês do ano anterior (ver Gráfico 1). A retração foi liderada pelas exportações (-9,1%), enquanto as importações apresentaram queda mais moderada (-3,9%). No segmento exportador, destacaram-se as reduções nos fluxos com os Estados Unidos (-17,5%) e Portugal (-15,3%), com forte impacto do capítulo tarifário 85 (máquinas, aparelhos e materiais elétricos), cujas exportações ao mercado norte-americano recuaram 72%.
Em contrapartida, as importações provenientes dos Estados Unidos cresceram 1,6%, impulsionadas pelos avanços nos capítulos 85 (+22%) e 87 (+136%), este último associado a veículos e suas partes[i].
A Colômbia registrou em setembro o maior crescimento percentual interanual da carga aérea internacional no acumulado do ano, com alta de 9,3% em relação a setembro de 2024 (ver Gráfico 1). O corredor Colômbia–Estados Unidos avançou 11,8%, totalizando 42.700 toneladas (ver Gráfico 3) e respondendo por quase dois terços do aumento líquido observado no período. Pelo lado das exportações colombianas aos Estados Unidos, o volume cresceu 1,6%, com destaque para o capítulo 06 (plantas vivas e floricultura), que avançou 6%. Já as importações provenientes dos Estados Unidos apresentaram expansão significativamente mais robusta, de 37,8%, impulsionadas sobretudo pelas mercadorias do capítulo 39 (plásticos e suas manufaturas), que registraram um expressivo aumento de 200% frente a setembro de 2024[ii].
O México, terceiro maior mercado de carga aérea internacional da LAC, movimentou 52,6 mil toneladas métricas em setembro, com crescimento interanual de 3,3% (ver Gráfico 1). O corredor México–Estados Unidos concentrou cerca de 30% do volume internacional e avançou 8,1%. As exportações cresceram 12,9%, impulsionadas pelo Aeroporto Felipe Ángeles (NLU), com alta de 58%, e por Guadalajara (+14%), enquanto Cidade do México (MEX) e Monterrey recuaram 21% e 15%, respectivamente. No sentido inverso, as importações provenientes dos Estados Unidos aumentaram 4,8%, em ritmo mais moderado.
Desempenho negativo no Chile e no Equador em setembro
Chile e Equador, que em conjunto concentram cerca de 17% da carga aérea internacional da região, apresentaram desempenho negativo em setembro de 2025. No Chile, a carga aérea internacional recuou 2,2% em termos interanuais, acumulando nove meses consecutivos de queda. As exportações de salmão e truta, principal carga aérea do país, somaram 15.606 toneladas, registrando uma contração de 3,3% em relação a setembro de 2024.
O Equador apresentou uma queda interanual de 4,6% em setembro. As exportações de rosas, principal produto transportado por via aérea, recuaram 11,7% no mês. Entre os destinos, o Cazaquistão registrou a maior retração, com redução de 37% nos embarques de rosas equatorianas em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Crescimento de dois dígitos no Peru, no Panamá e na Argentina
Peru, Panamá e Argentina concentraram cerca de 20% do volume total de carga aérea internacional movimentado na região em setembro, com os três mercados registrando crescimentos de dois dígitos:
- Peru apresentou alta interanual de 11,1%, totalizando 25.173 toneladas.
- Panamá movimentou 20.799 toneladas, com crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- Argentina registrou avanço interanual de 11,3% na carga internacional, alcançando 17.796 toneladas.
“A evolução da carga aérea em setembro reforça que, em ambientes com conectividade eficiente e condições comerciais favoráveis, a demanda responde de forma consistente. O desempenho positivo observado em mercados como México e Colômbia contrasta com o de outros países, onde a retração das exportações aéreas evidencia assimetrias nas condições de comércio e conectividade entre os diferentes mercados”, afirmou Peter Cerdá, CEO da ALTA.

Capacidade: o B747F segue como o principal provedor de capacidade cargueira, enquanto o B767F lidera o crescimento interanual
Em setembro, a capacidade operada em aeronaves cargueiras de e para a LAC registrou crescimento próximo a 2% em termos interanuais, superando 830 milhões de toneladas-quilômetro, após o avanço marginal observado em julho (+0,3%) e a leve contração registrada em agosto. O B747F respondeu por 37% da capacidade total, embora tenha apresentado retração de 1,5%, enquanto o B767F liderou a expansão, com um aumento expressivo de 32,2%. Já o A330F manteve uma trajetória de crescimento consistente, com alta de 15,6% em relação a agosto (Gráfico 5).

Nota: Salvo indicação em contrário, as variações percentuais mencionadas referem-se a comparações interanuais
[i] Ministério da Indústria, Comércio e Serviços do Brasil. ComexStat – Estatísticas de Comércio Exterior. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br/pt/home (consultado em 17 de novembro de 2025).
[ii] Direção de Impostos e Aduanas Nacionais (DIAN) da Colômbia. Painel de Estatísticas de Comércio Exterior. Disponível em.: https://www.dian.gov.co/dian/cifras/Paginas/Tablero-de-estadisticas-de-comercio-exterior.aspx (consultado em 17 de novembro de 2025).
